China e Índia contribuirão com 40% do crescimento mundial

Projeção de crescimento mundial, da China e da India, Paulo Morceiro, Blog Valor Adicionado

FMI reduz projeção de crescimento mundial, liderado por Índia e China

O FMI reduziu a projeção do crescimento mundial para 3,5% em 2019 e 3,6% em 2020. Atualmente, China e Índia contribuem para explicar 40% de todo o crescimento mundial. Apenas a China contribui com um terço da expansão mundial.

Vale ressaltar que a economia mundial cresceu 3,5% ao ano nos últimos 40 anos.

As projeções indicam que a Índia está acelerando sua taxa de crescimento. Em 2018, a Índia cresceu 7,3%, projeta-se 7,5% para 2019 e 7,7% em 2020.

O novo padrão de crescimento chinês é na casa dos 6% ao ano para o triênio de 2018-2020. Vale ressaltar que a China cresceu cerca de 10% ao ano por três décadas e meia. Mas, atualmente impacta mais a economia mundial crescendo 6% porque detém o maior volume de comércio do planeta, sendo líder em exportação e vice-líder em importação.

China e Índia povoam 36,5% do planeta terra. O Brasil pode tirar proveito dessa situação exportando commodities e alimentos, sobretudo alimentos com maior grau de processamento. Já passou da hora do Brasil ter um acordo de comércio relevante com a China e a Índia para exportar também produtos manufaturados.

Os Estados Unidos, ainda maior gigante mundial, crescerão 2,5% neste ano, contribuindo com aproximadamente 17% do crescimento global de 2019. As projeções do FMI são de desaceleração do crescimento americano de 2,9% em 2018, 2,5% em 2019 e 1,8% em 2020. Essa desaceleração é atribuída principalmente a retirada dos estímulos fiscais, além da guerra comercial com a China.

De todas as projeções mencionadas, a do Brasil é a mais otimista. Dificilmente, os economistas acertam em janeiro a taxa de crescimento brasileira do acumulado entre janeiro e dezembro. Nem o FMI, nem dezenas de bancos ou consultorias com renomados economistas acertam o crescimento brasileiro. Não se deve levar previsão da taxa de crescimento brasileira a sério como a dos demais países grandes. O Brasil nos últimos anos tem surpreendido negativamente. No fim do ano a gente confere o resultado.

Autor: Paulo Morceiro

Title in English: China and India will contribute 40% of world growth

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Renda per capita chinesa ultrapassa a brasileira

Renda per capita chinesa ultrapassa a brasileira, 1950 a 2018, Paulo Morceiro, Blog Valor Adicionado

Em 2018, o PIB da China cresceu 6,6% conforme reportagem de hoje do Valor Econômico. Esta taxa é menor que o padrão de crescimento chinês de 10% ao ano observado durante mais de três décadas. Mas crescer 5% ao ano é o sonho para a maioria dos países do mundo. No Brasil, o sonho é crescer de modo continuado ao redor de 3,5%, mas está difícil.

O Gráfico abaixo resume o sucesso chinês e o fracasso brasileiro após 1980. Entre 1980 e 2018, a renda per capita chinesa multiplicou-se por 24,5 e a brasileira por apenas 1,3. Note que a curva chinesa é quase uma exponencial que manteve a inclinação mesmo crescendo 6,6% no ano passado. O feito chinês ganha maior dimensão devido a sua enorme população, cerca de 7 vezes maior que a brasileira.

Hoje em dia, a economia chinesa é a primeira ou a segunda maior economia do planeta, com 20% a 30% do PIB mundial dependendo da unidade monetária utilizada. Então, mesmo se a China reduzir ainda mais seu padrão de crescimento para 4% ao ano (algo não esperado para os próximos cinco anos), sua renda per capita continuará crescendo e em 20 anos alcançará a renda per capita de entrada dos países atualmente desenvolvidos, como Portugal. Agora caso cresça 4% durante 30 anos, alcançará a renda per capita dos países europeus. Alguém duvida?

Obs: taxa de crescimento populacional chinesa é baixa, atualmente 0,6% ao ano.

Autor: Paulo Morceiro

Title in English: Chinese per capita income surpasses Brazilian

Desindustrialização contribuiu negativamente para o desenvolvimento brasileiro

A indústria de transformação foi a carro-chefe do crescimento econômico do Brasil até o 1980. Na etapa de industrialização houve expansão robusta do PIB manufatureiro real, da participação industrial no PIB e do PIB manufatureiro real per capita. No entanto, desde 1981, a indústria perdeu o status de locomotiva do crescimento e entrou em um processo intenso de desindustrialização, contribuindo negativamente para o crescimento do produto per capita do país (ver Gráfico das últimas sete décadas).

Industrialização e desindustrialização da economia brasileira, 1948-2018, Paulo Morceiro, Blog Valor Adicionado

Grau de industrialização: a indústria de transformação aumentou de 13,8% para 19,8% sua parcela no PIB do Brasil (a preços básicos e constantes de 2018) entre 1948 até 1973 e manteve-se neste patamar até 1980. No entanto, a industrialização foi abordada. Desde 1981, a manufatura cresceu abaixo do restante da economia na maioria dos anos, assim, deixou de ser a locomotiva do crescimento. A partir de 1981, há uma tendência de diminuição acentuada da participação da manufatura no PIB. Isso caracteriza um processo estrutural de desindustrialização. Em 2018, a manufatura representou apenas 11,3% do PIB, nível inferior ao do início da série em 1947.

PIB manufatureiro real: Entre 1947 a 1980, o PIB real manufatureiro multiplicou-se por 15 e o parque industrial brasileiro aumentou muito, conforme exibido pelas barras verticais do Gráfico. Note que o PIB real ficou praticamente estagnado nas décadas de 1980 e 1990. Os voos de galinha apenas recompuseram as perdas nos triênios das crises de 1980-1982 e 1990-1992. Embora o PIB real tenha crescido significativamente de 2000 a 2008, ele reduziu-se consideravelmente nos últimos anos. Portanto, um processo de desindustrialização absoluta pode estar em curso desde 2014.

PIB real manufatureiro per capita: o PIB real da indústria de transformação per capita multiplicou-se por 6,2 entre 1947 e 1980, no período de industrialização (linha vermelha do Gráfico). Até 1980 a industrialização contribuiu positivamente para aumentar a renda per capita do Brasil, consequentemente, para o desenvolvimento do país. Chama atenção que o produto manufatureiro real per capita apresenta tendência de queda desde 1981 e, em 2018, foi 25% inferior ao nível obtido em 1980. Isso tem alargado ainda mais o hiato de renda per capita entre o Brasil e os países desenvolvidos – um processo conhecido como falling behind. Portanto, no período da desindustrialização, entre 1981 e 2018, a taxa de expansão do produto manufatureiro real foi inferior à taxa de crescimento da população brasileira – e menor ainda que a taxa de crescimento da população economicamente ativa (PEA), o que é mais grave –, logo, o PIB manufatureiro real per capita diminuiu (linha vermelha do Gráfico) e, como consequência, a manufatura contribuiu negativamente para o desenvolvimento econômico.

Vale ressaltar que o processo de desenvolvimento requer aumento da renda per capita e melhoria dos indicadores sociais. A melhoria dos indicadores sociais e da qualidade de vida pode ser obtida direta e indiretamente pelo aumento da renda per capita e por outras medidas.

Portanto, o Brasil apresenta uma tendência bem definida de desindustrialização desde 1981. A retração de 25% do produto manufatureiro real per capita desde 1981 indica que a desindustrialização teve consequências negativas para o desenvolvimento brasileiro. Na etapa de industrialização, o Brasil se aproximou dos países desenvolvidos. No entanto, o Brasil tem ficado para trás e se afastado ainda mais dos países desenvolvidos na etapa de desindustrialização. O país precisa urgentemente revitalizar seu setor industrial se quiser expandir sua renda per capita mais rapidamente.

Ver estudo completo sobre esse assunto aqui.

Autor: Paulo Morceiro

Title in English: Deindustrialization contributed negatively to the Brazilian development