
A produção industrial brasileira desabou em abril/2020 e voltou para o nível dos anos 1980. Em abril de 2020, a indústria brasileira recuou 27,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Em maio a produção deve recuar para o nível dos anos 70. Pandemia justifica a queda expressiva de abril, mas 40 anos de desindustrialização também contribuíram para o retrocesso aos anos 80 (tendo em vista que a indústria cresceu muito pouco nas últimas quatro décadas).

As maiores contrações ocorreram nos bens de consumo duráveis e bens de capital, categorias de uso que tiveram queda superior a 50%. Esse era um resultado esperado porque nas crises as famílias priorizam bens essenciais como alimentos, produtos de higiene pessoal e medicamentos. Automóveis, eletrodomésticos, calçados, entre outros produtos menos essenciais podem esperar.

As empresas não voltarão a investir tão cedo devido à capacidade ociosa herdada do período pré-crise e a que está sendo acumulada no período atual, com isso, novas quedas das indústrias de bens de capital devem ocorrer neste ano.
Essa queda expressiva já era esperada. As medidas de isolamento social, aumento do desemprego, queda dos salários e incerteza produzem um impacto grande na demanda. A contração poderia ser minorada parcialmente se o Estado tivesse atuado mais ao tomar medidas do tamanho que a maior crise brasileira exige. Os resultados do mês de maio devem ser parecidos. A depender da atuação do Estado esse quadro pode se agravar muito e produzir sequelas irreparáveis para a indústria brasileira, que já vem cambaleando faz tempo.

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