Cooperação para inovar leva a esforço inovativo de maior qualidade

Distribuição das atividades inovativas no Brasil, 2012-2014, Milene Tessarin, Blog Valor Adicionado

Este post continua o tema tratado no post anterior. O Gráfico acima exibe a distribuição das atividades inovativas das empresas brasileiras da indústria de transformação por origem do capital controlador e por relação de cooperação para inovar. Na sequência há alguns comentários sobre as atividades inovativas que mais se destacaram.

Aquisição de máquinas e equipamentos (M&Es)

A aquisição de máquinas e equipamentos tem um peso muito substancial como atividade inovativa no Brasil, principalmente para as empresas que inovaram sem cooperação. Para as empresas nacionais essa atividade concentra dois terços de todos os recursos destinados à inovação (67% do total) e, no caso das empresas estrangeiras, representa 43% das atividades inovativas.

A aquisição de M&Es certamente envolve menor esforço tecnológico se comparada à inovação oriunda da atividade de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Todavia, pode-se dividi-la em dois tipos: um passivo, que permite a empresa ampliar a produtividade via instalação de máquinas modernas com poucas modificações no layout produtivo, nas áreas de estocagem e na comercialização; e outro ativo, que exige absorção de novos conhecimentos e adaptações substanciais na empresa e, no mínimo, uma assimilação tecnológica e treinamento para colocar a máquina em uso.

Deve-se ponderar que no Brasil a defasagem tecnológica do parque fabril é alta – a idade média das M&Es é de 17 anos, o dobro dos países avançados – e por isso muitas vezes a inovação é apenas uma atualização tecnológica, que é benéfica por rejuvenescer o parque industrial.

Pesquisa e Desenvolvimento

A P&D é a principal atividade inovativa realizada por empresas que cooperam para inovar.

Para as empresas nacionais que inovaram com cooperação, a P&D interna foi a atividade inovativa que mais recebeu recursos (43%), à frente da aquisição de máquinas e equipamentos (34%). De forma complementar, a aquisição de P&D desenvolvida externamente teve um peso maior nesse grupo de empresas (9%).

A diferença para as empresas estrangeiras que cooperam é que o gasto com P&D é um pouco menor (39%), mais ainda assim maior que a aquisição de M&Es (28%). Outra diferença observada a partir da origem do capital controlador foi que a aquisição de outros conhecimentos externos e os custos para introdução da inovação no mercado tiveram maior peso (juntas somaram 19% dos gastos com inovação). Nesses casos estão incluídos acordos de transferência de tecnologias via uso de licenças, patentes, know-how e outros conhecimentos técnico-científicos de terceiros.

Como uma das vantagens das multinacionais é estar presente em mercados ao redor do mundo, ela consegue auferir ganhos de escala ao licenciar tecnologias e usá-las em mais de uma filial. Em muitos casos, como pode-se ver neste ESTUDO, o que se tem é a transferência de conhecimentos desenvolvidos na matriz ou por outra empresa do grupo localizada no exterior como uma estratégia da empresa que preza pela economia de escala em seus gastos inovativos.

Para que a atividade inovativa cresça de modo sustentável e fértil, algumas questões precisam ser reforçadas. As empresas que inovam com cooperação já apresentam um esforço inovativo de maior qualidade, por isso, conforme apontado no post anterior, estimular a cooperação para inovar pode melhorar a inovação no Brasil. Quanto a origem do capital, é preciso estimular que subsidiárias de empresas multinacionais desenvolvam pesquisas que vão além da adaptação, no Brasil, de tecnologias desenvolvidas por outra empresa do grupo localizada no exterior e, quanto às nacionais, em especial as que não cooperam, é preciso persuadi-las de que a aquisição de máquinas e equipamentos precisa ser um meio para a inovação (por ex., adquirir M&Es para produzir um produto novo), e não o resultado inovativo em si.

Vale salientar, que os dados da Pesquisa de Inovação (Pintec) brasileira não permitem acompanhar o desenrolar dos resultados gerados pelas atividades inovativas individualmente, sendo assim, não é possível identificar que tipo de aprendizado e resultados foram gerados nas empresas a partir de cada atividade inovativa. O que sabemos é que o Brasil patenteia pouco.

Autora: Milene Tessarin

Title in English: Cooperation to innovate leads to innovative effort of higher quality

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2 comentários em “Cooperação para inovar leva a esforço inovativo de maior qualidade

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